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04 setembro 2019

repetição de muda

Era quase a metade daquele teatro aberto. Intimista, convidativo, bem aconchegante. Dentro, parecia uma escola antiga. Não a minha e nem a sua. Estava no palco, lá embaixo, em uma rede como se fosse especial... Seria meu aniversário? Claro, faz sentido. Porém, ninguém havia me parabenizado.


Estava arrumada, da minha maneira, com aquele mesmo vestido e, por baixo, aquele seu/meu pijama, já que meu dia seria longo... E sim, não foi. Esqueceram. Até onde presenciei, esqueceram mais uma vez. Ok. Sem problemas. Estava esperando ele. Não chegava. Uma mulher, que conhecia sem conhecer, chegou e se sentou no sofá esquerdo, perpendicular à rede.

Colocaram uma parte de um filme para discussão, ali, naquele teatro. Eu que sou atenta, não vi o filme atravessar. Falou uma, falou um e falou ele. Ele. Não quem estava esperando. Ele! Ele estava do outro lado, na arquibancada, com o disco que fazia barulhos. Observei calmamente e intrigada de o vê-lo ali. Na minha época, isso, de falar em público, não era com ele. Achei diferente e logo pensei, é porque está, porque é.

Fez considerações plausíveis. Sentei no sofá que tinha atrás da rede, pra me afastar da não-conhecida e nisso, ainda explicando seu ponto, fui compreender sensatez. Para explicação de seu argumento, foi até mim e tocou na minha mão. Paralisei e depois de uns segundos, sorri. Ao finalizar, se sentou ali, ao meu lado.

A discussão continuou com outra pessoa. A conhecida chegou e disse “não faz mais nada”. Foram instantes, lá, na consciência do devaneio, eu teria abaixado minha cabeça e concordado. Mas lembrei que, hoje, tenho voz. E perguntei “perdão?”. Mesmo comentário. E acrescentei “por quê?”. Ela respondeu duas infelizes palavras.

Nisso, ela fez uma construção de mim que continuava a mesma: aquela que aceitava qualquer palavra do outro, que lia, isolada, livros durante os recreios, que copiava as matérias aos outros nos intervalos. Não me viu diferente. Mas não liguei. Antes de responder que gosto do vestido florido, ele assim o fez.

Ela estranhou. Eu complementei e virei. Nos olhamos com profundidade e soltamos sorrisos discretos. O anseio podia ter ficado minutos eternos ali, mas logo se foi. Junto com mais uma memória construída de você. Acontece isso também, com você, de nós?

Mariana Baldani

21 outubro 2016

Hey, depois dela ":)", sabia que o afastar seria o melhor. e foi. obrigada.

me disseram sobre o show que vai ter em uberlândia, o verdadeiro. fiquei de cara e lembrei de você, claro. como não, né? pensei em te avisar sobre. não convidá-lo, não faria isso, você sabe. mas comentar a respeito e respeitá-lo o suficiente para sugerir de ir com ela. daí horas depois, por uma força de comunicação virtual - que sempre nos acompanhou, talvez - recebo uma mensagem no skype, atrapalhando meu seriado. era você. sem ser você. é uma daquelas mensagens que é enviada para todos os contatos, sabe? pode ser que seja um vírus. ou só um site de um dos países de lá. comecei a reler nossas conversas, parte delas. como éramos bobos  e melosos e apaixonados hahahaha. você era mais, sério. enfim, boas conversas, com fluidez. nosso mundo, aqueles momentos. mesmo distantes lá estávamos nós, juntos. e depois de voltas e voltas pedidas por você, eu queria entrar fundo. saber. conhecer. entender. compreender você. nós. eu. eu, principalmente. e, em um desses momentos, em que, provavelmente eu já estava bêbada de sono - pra não perder o costume, sabemos - eu discordei de você por um adjetivo que não fui e continuo sendo a mesma, nisso. continuei com

'eh so... 
nao sei... aquele medo, sabe? 
de perder, mas faz parte da vida 
isso' 

e nesse momento percebi bem quem eu era e continuo sendo, aperfeiçoando de pouco em pouco. eu estava sendo forte e só fui me dar conta disso agora. eu fui (e sou, btw) forte por pensar primeiro em mim, mesmo sem perceber nossa inocência sobre a vida cercada de emoções nessa real, do dia-a-dia. eu fui muito foda por saber suportar tudo isso que passamos e chegar na clareza de pensamentos, mesmo com muitos nós longe de serem desatados, nisso tudo que ainda insiste em dizer ser eu. o profundo eu. a mente que leva as ações e fazem da gente o que a gente é, se é que podemos dizer que somos feitos assim. abaixo, lido primeiro desse saber, tem nossas definições de amar, daquela époc a, um pelo outro. bonitinhas. pela escrita (não sei se nas atitudes de viver de fato) parecíamos estar falando de um mesmo sentimento sem nome. idêntico, completamente simétrico... mas, como já dizia o cara do show, é aquela velha história de 'o papel aceita toda qualquer coisa', né?

M. M. Mariana

14 maio 2015

Khalil Gibran

"Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.

E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.


Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”

Assim me tornei louco.

E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós."


Khalil Gibran

13 fevereiro 2015

Do palco à platéia

Capítulo 1 - Os dois

No altar dos artistas, lá estava ele: João, o protagonista principal, revestido de cores dos 3 holofotes. Seus cabelos enrolados, seus olhos esverdeados e seu sorriso simpático eram realçados pelos feixes de luz. Suas vozes não falhavam, eram sempre muito bem entoadas de humor e um pouco de clamor. Os gestos, sem cálculos, seduziam. Os passos, calmos, induziam paz. Os cachos grandes e soltos brilhavam liberdade. Liberdade esta que se refletia de seu peito. Mas, sua palidez do amor, escondida. No fundo. Bem no fundo.

Ana, com os cabelos longos e ondulados, os olhos castanhos e o sorriso desajeitado, nunca pisou em um palco, mas sabia muito bem o que era ser platéia. Ela só não era mais uma na platéia, ela era diferente. Sempre em um dos cantos da última fileira lá estava ela. Calmamente, sentava e, ao se ajeitar na poltrona, pegava um de seus cadernos finos de rascunho. 

Primeiro, enquanto estava iluminado, ela escrevia o nome da peça e uma linha depois, seu diretor. Ao terminar a apresentação, escrevia, se tinha, o importante que a peça queria passar, sua moral ou simplesmente o que tinha entendido. Começou a fazer isso porque acreditava organizar melhor os pensamentos ao escrever até que virou costume a mania de querer escrever mais. Porém, ao ver a peça em que João era o protagonista, Ana fez diferente. Aliás, não fez.

Não estava atrasada, sentou como de costume e logo as luzes se apagaram. Em seguida, lá estava o protagonista como um deus, no palco, enquanto ela lutava em pegar o caderno dentro da bolsa. Luzes azulada, amarelada e vermelheada coloriam seus charmes e ao escutar sua voz, Ana esquecera do que estava procurando na bolsa. A peça girava na trama da personagem e o certo é que quem estava tramada de desorientação era ela, Ana. Ela queria saber deles, do protagonista e do ator.

Queria saber das suas histórias, qual esporte gosta, se já teve um animal de estimação, se têm irmãs, qual o livro de ficção que mais marcou sua infância: os da J.K. Rowling ou do Antoine de Saint-Exupéry... Queria saber tudo sobre ele, dele. Desde suas cores favoritas ao seus sonhos de vida. E, principalmente, das suas bagagens. Aquelas que o levaram a ser o que hoje é.

O que Ana não sabia é que João não era lá um sonhador. Não tinha ambições ou desejos árduos. Ele só gostava de vaguear, literalmente. Andar, andar e andar sem ter um rumo certo. Pegar seu carro e viajar sem saber em qual lugar parar, mas parar e contemplar por pouco tempo o novo lugar. Em relação as atuações, ele as faziam porque eram seu ganha pão e satisfação: era o dinheiro da gasolina no final de semana para abastecer sua liberdade.

Diferente de Ana. Aliás, ela também vagueava. Vagueava pelos papéis, quer sejam eles cheios de palavras ou em branco.

Mariana Baldani


04 fevereiro 2015

Convite a lutar contra o câncer

Dias e mais dias de exames. Em um deles um diagnóstico. No meio de dois glóbulos benéficos, um estava diferente. Era grande, aliás, podemos dizer robusto e estava lobuloso como o meio científico diz. Estava lá, se misturando, pouco a pouco, nas outras células saudáveis. Que merda! MERDA! 

Daí surgem - a todo momento - aquelas perguntas "por que eu? Justo eu?", argh! Você passa dias em claro a pesquisar mais a fundo sobre o câncer. Se existe alguma forma de curá-lo. Quais alimentos podem evitar a dor da radio ou quimoterapia ou até mesmo parar ou regredir a metastase. Mas, principalmente, quer saber o porquê.  O porquê disso ter acontecido, com você.

Dentre tantas pesquisas sem sucesso, descobri que as respostas não são definitivas, pelo menos não ainda. 

Perguntava-me se eles fazia sorteios. Sorteios de aparecer. "Hoje o câncer vai para... Tantararãn... José Silva de Oliveira, de Jundiaí! Brasil!", diz o câncer de pele. Quando caem em crianças, algo no sorteio aconteceu errado. Talvez seja corrupção... De qualquer forma, é muita impiedade! Queria mesmo que eles pedissem desculpas a elas e se retirassem rapidamente e com classe, claro.

O certo - que neste caso é um pouco incerto - é que talvez nunca saberemos um motivo exato deles surgirem por aí, em cada órgão, em cada corpo, em cada vida, cada alma... Talvez não tenha mesmo um motivo para isso... Mas o certo - esse bem certeiro - é que devemos reagir para poder lutar e continuar a lutar até o maldito cancêr enfraquecer e morrer!

A luta não é fácil. Não são só os cabelos que choraram ao cair com você. Não são só as dores que o corroem devagar ou rápido como um vômito. Não são só suas células boas ao serem mortas pela quimioterapia. Não é só a tristeza que os outros olham para você. Não é só a agonia de saber que você está morrendo lentamente que acorda e vai deitar com você...

Sua esperança é abalada. A esperança. Aquela de nos fazer sorrir em meio as lutas e derrotas. Ela fica enfraquecida junto com você. Mas, não podemos deixar que ela se afaste de nós. Nós não podemos parar de lutar. Nem de relutar!

Aos atingidos ou não por essa merda, vamos lutar, lutar juntos contra o câncer! Juntos somos mais e mais, venceremos!

Mariana Baldani


Keep going!! World Cancer Day - 4 February #canceryousuck

01 janeiro 2015

Longe de você

Seu silêncio é como se você repetisse, pela terceira vez, aquelas três palavras. Não é questão de perdoar, isso já não cabe a nós, porque os nós não existem mais e já machucamos o suficiente. A questão é: aquele amor que não suporta distância, não é e nunca foi amor. Tão simples e eu levei mais de 1 ano pra aprender. Talvez tenha sido a intensa insistência e a minha dificuldade de dizer não que chegamos até aquele ponto onde aprendemos a ser feliz, onde a nossa própria presença nos bastava. Mas, agora não existirão mais erros, tudo isso por tudo que já aconteceu até aqui. Seu primeiro "não" quando eu não quis nos separar. Seu primeiro grito contra mim quando eu fiz o que você me dizia para eu fazer: dizer a verdade. Suas desconfianças onde não existiam razões pra isso. Pelas palavras sem classe a quem não precisava ouvir, na minha família você não entra mais. Quem eu mais amo, levanta a sobrancelha quando digo de você. Minha eterna lindinha, com menos idade e experiência que nós dois juntos, entorta a boca ao saber de você. E, a mais sábia, diz não a gente. Sem apoio de família, eu digo não. Por muitos cansassos também. Cansei dos seus julgamentos. Cansei das suas perguntas. Cansei dos nossos nós que eu fazia tanta questão de preservá-los. Cansei de alimentar esperanças de um sonho. Cansei de surpresas. Cansei desse falso amor. Sua última surpresa não será entregue. Eles já não fazem sentido mais. Os dias correm e a cada dia a possibilidade de renovos são enormes. Estou me renovando, longe, bem longe de você.

Mariana Baldani

04 novembro 2014

Saudade que fica no passado

Sentada na grama, de costas à imensidão do mar penso de como foi todo esse tempo sem você. Teve a saudade de sentar a mesa para jantarmos juntos. Teve a saudade do seu abraço ao me pegar no sono. Teve a saudade de escutar seu coração sereno bater antes de você despertar.  Teve a saudade de te contar sobre a sensação de saltar de paraquedas.

Existiram também saudades de um tempo que não vivemos: nós dois, de mãos dadas, na beira da praia; dos nossos piqueniques de fim de tarde; das nossas viagens pelas praias paradisíacas e outback australianos; de deitar nas ruas gonganas pela madrugada e escalar as montanhas mais vivas que pisei.

Momentos como esses me permitiram gravar-te no meu coração junto a um sorriso nosso. Sorriso que transborda amor e saudade. Aqueles outros momentos que vivemos quase um ano de companherismo também. Mas você viu assim como eu vi o quanto mudamos. Nós, eu e você.

(Longa pausa, de dias, a pensar e se decidir que os 'nós' já deveriam ser desfeitos antes)

Ia dizer sobre a minha interpretação do fim do nosso relacionamento, mas isso já não faz mais sentido. Está no passado, o que está lá já morreu por alguma razão, deixo os nós desfeitos e começo a seguir em frente, sem olhar para trás. Que os nossos caminhos sejam regados por paz, separados.

Mariana Baldani

01 setembro 2014

Um texto como forma de perdão

As brigas eram poucas, se é que podemos chamá-las assim. De vez em quando um ciúminho aqui, outro alí, mas não mais do que isso. Eramos verdadeiros, de corpo e alma, companheiros. Aprendemos, juntos, o que era o amor, de sentimento puro e querer cuidar um do outro. Aprendemos também sobre doar carinho e se dar por inteiro. 

O que vivémos era só nosso: nós tínhamos a nós e isso era suficiente. Por mais que eu queria sair para dançar, se não o fizéssemos, só de estar com você, no nosso colchão, no nosso quarto, já estávamos em paz, feliz, alí. Quem diria há um ano que tudo viraria ao avesso pra nós? Quem diria, meu bem? 

Eu fiz escolhas com a sua aprovação, de mudar de terra, ir pro oposto de nossos lugares. Eu fiz escolhas de beijar outras bocas por pensar que se fossemos nós, estaria sempre lá, guardado, reservado a nós dois. Entretanto, tudo isso vem mostrando o contrário. 

Muitos me dizem que meu pecado foi continuar a conversar com você, na distância. Mas como teria eu me desprendido a você por milhas de terra e mar? Como teria eu ignorado o nosso medo de não nos amar, mais? 

Se pararmos pra pensar, ainda estamos um pouco conectados, por mais que agora cada palavra que soltamos, aperta ainda mais nossas feridas. Por todo esse tempo, tentei, nas nossas conversas só pensar racionalmente e tive sucesso nisso, na maioria das vezes, pelo menos. Mas chega aqui, quando eu começo a jogar essas palavras no papel, eu percebo o quanto meu lado emocional está gritando, clamando por você.

Sonhava com nosso apartamento, pequeno, aconchegante, naquele lugar tranquilo. De entrar na nossa casa e sentir o perfume bom das flores que decidimos regar, ou comprar, ok. De olhar ao nosso colchão, no chão, e sorrir de orelha a orelha. Sentir a paz de ser o nosso canto, o nosso lugar de gratidão. Sonhava com as nossas reuniões pra programarmos um roteiro ao próximo destino. 

Sonhava com a correria de nos ver trabalhando, comendo juntos, a cada refeição, assistindo nossos filmes e seriados dia sim, dia não a noite e nos amando, amando muito. Sonhava em chegar o momentos de levarmos nossos filhos ao primeiro mergulho naquele rio de águas cristalinas, ou aquela piscina do clube que passaríamos muito finais de semana, ok. 

Sonhava com nossos futuros, juntos, entrelaçados, com nós bem dados mas sem a dor de nos esmagar. E foi aí que nos machucamos tanto. Foi aí, depois de fantasiar tanto, depois de criar tanta expectativa que hoje, ao lembrar de nós, a dor é maior.


Mariana Baldani 

29 agosto 2014

Não a nós

Um dia me disseram que o melhor é nos afartarmos completamente, aqui, no hoje. Eles ainda têm razão. Se mantermos contato só ficaremos mais feridos. Mas a saudade dói, está doendo tanto e eu sei que doerá muito mais nesse processo de aceitação de não a nós. Juntos. Outra vez.

Por muitos dias queria te explicar o que aconteceu sobre os últimos e-mails. Queria te contar minha versão, como as coisas aconteceram do lado de cá. Mas, nada disso importa mais. Não tenho o porquê me justificar e digo isso mais por estar entendo que realmente está chegando ao fim.

Fim que há um ano não pensaríamos que acabaria assim. Hoje eu entendo, meu bem. Entendo que dois amores, intensos, em um, não podem ser somente, meros, amigos. Ou eles se assumem como um só ou procuram noutos/noutras parte de seus corações. 

Estou aprendendo. Estou indo, de vez enquando escrevendo, outras vezes, sorrindo.

Mariana Baldani

13 abril 2014

Pensamentos avulsos, ininterruptos

Engraçado como nunca vomitei tanto quanto por esses dias no meu blog. Nos meus rascunhos isso é justificável, mas aqui não ando muito me importando: vou escrevendo o que sai na cabeça, fico em dúvida em algumas palavras, ortografia, acentos, mas deixo a escrita correr. Não consigo mais comer carne. Não sei o que está acontecendo claramente, estou comendo menos que o usual também. Meu corpo já está quase esquelético. Talvez porque esta semana não fui um dia na natação. Talvez seja o estresse dos estudos. Talvez seja você. Estava esquecendo tão bem te esquecer, mas aí com tudo e sem você querer, você voltou. Deu um respirada tão forte em minha boca que os pulmões desgrudaram, porém a dor do coração voltou na mesma intensidade do acordar. Olho pela janela e vejo o sol batendo nas casas e sinto esse frio de 12ºC arrepiar minha pele. Imagino a gente, aqui, vivendo essa vida tão gostosa e tranquila. Imagino a gente saindo das nossas casas, de pé no chão, a chegar à praia. Imagino nossas conversas e risos, nossos olhares e abrigos, um nos braços do outro. Queria te falar da minha suspeita sobre o final de How I Meet Your Mother, queria te falar o quanto você me fez feliz e sou ainda, um pouco, pois vivi isso. Hoje escutei uma música que odeio, não, odeio quem cantar, voz fina demais, só que a letra da música me lembrou o que passamos, os momentos tão simples e especiais que vivemos e nos alegramos em cada um deles. O início da música diz "desde quando te encontrei, já não pude te esquecer",parei pra pensar, que música besta. Mas, esse verso é tão verdadeiro. Eu sei que não vou te esquecer, não tem como e isso não vai nos impedir de viver. Acho que estou aceitando mais o fato de não estarmos juntos... Na verdade eu sei o que estou aceitando melhor: não resolveremos isso agora, com essa distância e nem depois com a outra distância. Talvez quando nos dois estivermos no Brasil, tudo seja diferente, você esteja com a sua mulher, aquela que vai te dar felicidade ao acordar e ao dormir. Talvez iremos só nos esbarrar com um sorriso discreto nos lábios e olhares. Talvez nem iremos nos encontrar, mais. O que temos de sobra são talvezes. Queria te mostrar o vestido novo que comprei, sei que você iria gostar. Queria que você me visse surfar, ia rir muito do quanto passo mais tempode bruços do que em pé na prancha. Eu destruí nossos sonhos, não foi? Sonhos de estarem juntos por muitos anos... Lembra quando você falou a respeito de filhos que vêem pra interligar o casal? Acho que isso é verdade... Primeiro é preciso o amor, mas sim, os filhos mantém os laços fortes do casal. Saberemos isso, juntos ou não. Será que tem um porquê de termos começado? Queria entender tanta coisa que se passou. Tenho saudade de nós. Olho para o ursinho e o abraço achando que você vai voltar, sim, eu sei o quanto idiota ao pensar isso. Ainda mais que você está sonhando com outros sonhos e isso faz bem, não pare. Talvez seja por isso que vou manter o blog trancado. O único que visualiza isso mesmo é você e nós dois sabemos o quanto isso faz mal a você. A mim também, mas se eu deixo de escrever, me sinto pior... Eu destruir a gente por aqui, né? Escrevi coisas que não precisavam ser escritas e fomos nos aproximando demais... E sabemos que liberdade sempre foi o meu forte ou era, já não sei mais. Sei que mudei, muito e talvez você também vá mudar. Se a essência do amor é sempre a mesma tenho lá minhas dúvidas. Queria tirar a pontuação desse texto, mostrar como meu pensamento flui. Não sei a quem mostrar, actually... É, vou abrir um dia meu blog e alguém, além de você, lerá isso. Não sei se lerá existe, pouco me importo agora. Essas palavras são cruéis e santas por maltratar-me e aliviar toda essa dor, ao mesmo tempo. Você precisa experimentar a comida que estou fazendo, não é das melhores, claro, está longe disso, mas você precisa ver o quanto estou melhor. Não agora, ando ruim pra comer, pensar em comida e te falei que acho que você é a influência de tudo? É até engraçado... Se eu te contar das milhares de coisas que quase faço pra chamar sua atenção, você me acharia louca, mesmo. Com esse tempo sem nós vejo o quando preciso deixá-lo ir... Acho que estou conseguindo. É, acho mesmo... Já percebeu o quanto nós, humanos, somos fracos? Qualquer coisinha estamos no chão e o fato de estarmos no chão e a dificuldade de levantar é tão cruel. É necessário se quisermos seguir em frente. Para de entrar nos meus pensamentos, por favor?

Mariana Baldani

 Texto não revisado e nem relido *

12 abril 2014

Carta dos meus sentimentos

Eu estou pensando tanto. Tudo que aconteceu com a gente. Vivíamos e, mais do que isso, convivíamos bem. Sei que nunca fui de demonstrar afeto, carinho, amor como você demonstrava, mas você sabe que todo meu amor estava lá: nos meus olhares pra você, na minha boca pra você, no meu riso pra e por você, nos meus braços que te envolvinham e fazia me sentir envolvida por ti.

Eu sei o quanto eu errei por tudo que fiz depois que cheguei aqui. Eu sei o quanto fiz seu coração apertar. Eu sinto isso agora, eu sinto que eu te perdi e não temos mais volta. Se eu pudesse queria sim mudar o que eu fiz. Não sei se queria deixar de vir pra cá, porém, sem dúvida, queria deixar de ter feito o que fiz com você.

De ter dado a minha boa a sentir outros lábios que não eram teus. De ter dito palavras duras e indelicadas que não pertenciam a você. De não ter retribuído a altura o carinho que sempre me deu. De ter expressado mais meus sinceros sentimentos que sempre calei e ainda calo.

Porém, nisso tudo de uma coisa eu tenho certeza, Lucas, eu sei que eu amo você porque eu quero que você seja verdadeiramente feliz. E eu sei que essa felicidade não merece ser compartilhada comigo, mais. Eu desejo a você uma verdadeira mulher que saiba dizer o quanto você é especial, que saiba cuidar de você da maneira mais carinhosa que você merece.

Homem nenhum vai chegar aos seus pés pelo que você me fez. Nos momentos mais difíceis, meus, você estava lá e a distância não impediu de você realizar esses detalhes totalmente necessários. Em meu outro relacionamento, eu percebo o quanto não fui madura pra te respeitar, entender e aceitar seu amor. Percebi que amor, aquele, de verdade é coisa rara, que está bem no fundo daqueles que podem amar e, isto é difícil de encontrar.

Te agradeço por ter me dado um pouco disso, esse amor. Não que eu não me sentia amada quando estava com você, mas agora que vejo que eu realmente não o tenho mais, percebo o quanto esse amor era intenso, puro e verdadeiro. E é por isso que te agradeço, por ter aberto e compartilhado o que você tem mais de precioso a mim.

Eu tentei, muitas vezes, e aquelas que eu realmente consegui demostrar esse afeto foi por meio desses rascunhos, e quando eu te abraçava, e quando eu segurava suas mãos, e quando eu arriscava andar a noite sozinha só pra ver seu sorriso me esperando e quando éramos um.

Isso não foi tão efetivo quanto toda demonstração que me deu do seu amor. Eu sei que muitas vezes eu me puno por não saber direito como dizer e fazer no que se passa no meu coração e mente, mas sei que eu tentei demonstrar meu amor por você. Não quero cometer esse meu erro de novo e você, por favor, encontre alguém que te mereça. Que vá te fazer feliz e, principalmente, que valorize esse amor lindo que você tem pra oferecer.

Estou deixando-o ir, de vezes (ou tentando) com muitas lágrimas, soluços, dor no coração, tensões nos músculos, porém com uma paz quase completa de saber que isso é o melhor pra você. É por isso que eu sei que te amo, porque quero que você esteja em paz, feliz, especialmente por si, e livre. 

Mariana Baldani


Janta - Marcelo Camelo

"Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar: caberá ao nosso amor eterno ou não dá. Pode ser a eternidade má, eu ando em frente por sentir saudade."

02 abril 2013

Delicadeza é disfarce

Fui procurar as listas de músicas. As músicas da saudade de um tempo bom. Esqueci-me: elas se foram. Simplesmente as exclui para substituir por outra. A vida é assim? Viver, esquecer e substituir?

Eu sei o que vai acontecer. Sabemos, mas arrastamos de cá, emburramos de lá e cá estamos. Olha onde fomos parar. Existe o reconhecimento das cores belas nas coisas bem vindas que recebi. Talvez as cores não sejam tão intensas quanto eram pra Cássia ou Nando, mas eu reconheço, desdobro-me e volto a dobrar. Bebo um copo d'água, respiro e reflito. As dúvidas, que são os beliscões que dão gosto no meu viver, trasbordam em uma mente avoada e pouco escrupulosa.

Meus passos são lentos e acompanham dias suaves e efusivos e sãos e mórbidos. Um mix deles em um só dia, também acontece. Muitos deles quebram e o tempo os grudam de forma caótica e demente.

Há alternância de graus de felicidade e tristeza.

Eu volto pra casa? Onde fica minha casa? Penso em uma casa. Em pé na estrada. Não quero fazer isto sozinha. Já pensei, muito e não ligava, hoje ligo, pois sei que somente eu seria de mais - ou melhor, o termo mais apropriado seria de menos, bem menos...

A vida mal trata, passa a mão na cabeça e volta a ferir. E assim será. Não é pessimismo, é realidade. Sei e concordo que a junção de células é (per)feitas(!) de/para (?) nós, porém só temos isto que todos se habituam a fazer? Nascer, crescer de forma grotesca e morrer?

Procura-se renovador de tempo adicionado e gasto.

Mariana Baldani

05 março 2013

Transviar

Antes de mais nada: que todo sentido seja mínimo.

O sonho não condiz. Ou talvez sim, mas a realidade não me encaminhará à sua realização. Meus esforços serão em vão, minha dor constante palpitação. Tem gente que gosta de perder?

Meu caminhar será sempre o mesmo. Mesmo? Da mesma forma que a coruja canta para espantar, eu danço para continuar (pausa de relevância: sem rigor das palavras). As louças continuam sujas, o trabalho não foi finalizado e as tintas nos potes ainda estão. Por que esquecem fácil de importâncias?

São tão óbvias que são classificadas com menos valor. Há muito desperdiço de esforços. Sério. Muito. Mal dizer por dizer. Que noites de conturbação de mentes em uma só melhores virão. Verão. Sem ventos, sem frio.

Ahn?


Mariana Baldani

12 fevereiro 2013

Condenação?

A música clássica só agrava o sabor da agressividade. Os olhos, contra vontade, insistem no estado entre-abertos. Ele não sabe o que fez para chegar ali.

Todos estão condenados a este viver pacato?

Sua velha mulher não o suportou. Seu calor expirou e filhos não deixou. Só paga contas, come e bebe o de costume e dorme. Que vida desgraçada João possui.

Todos estão condenados a este viver pacato?

Com o pensar voltado para si e a sobra de orgulho, ele afastou as pessoas, tornou-se só. Sente falta de um rápido bom dia, de um sorriso em sua direção, um afago em sua pele fria.

Todos estão condenados a este viver pacato?

Seus pés no mesmo lugar estão. Forças para luta não têm, vontade de mudar não sente. E assim, sem ir, ele vai indo, estagnado no pesar de viver.

Todos estão condenados a este viver pacato?

Mariana Baldani

11 fevereiro 2013

Consultas

Dia 04.02.13: 18ª Consulta

- A verdade é que sou uma bagunça. Do tipo que acorda, pega a primeira roupa que encontra no guarda-roupas e a bolsa e sai. Sem pentear o cabelo mesmo – é certo que nunca liguei pra peculiaridades femininas - e com uma das alças do vestido caída, sempre, sempre acontece e raros são os momentos que me importo. Sutiã? Perdão? Você está aqui pra me escutar! Talvez, ao final, fazer uma ou outra ressalva! Desculpe... Desculpe minha agressividade, não costumo ser assim, e claro, seu trabalho é nos dar orientações pra tomarmos a decisão mais acertada... Mas pode, por gentileza, fazer colocações quando eu pedir? Pois bem, paramos onde? Sim, a alça sempre larga... Respondendo sobre o sutiã... Têm dias que não ligo, mais leve, livre, garanto haha. Hm, peculiaridades femininas! Gosto de me sentir bem, bonita, mulher!, só que não me importo tanto e nem sempre como todas, entende? Sou perfeitamente imperfeita. Não me equilibro e não faço questão disso. É isso! Não faço questão de ser certa. Isto é bom? Não é preciso responder... Se sim ou se não, não vou mudar este meu jeito, então, imagino, que seja melhor não saber, certo? É... Mesmo? Mais uma pergunta? Você realmente está interessado a me ajudar ou é só fingimento de trabalhador? Desculpe-me! Muitas vezes, sinto vergonha pela minha, cruel, diria, sinceridade. Mas é tão importante saber o que carrego na bolsa? Pois bem, um livro de bolso, com estórias não muito interessantes; papéis e caneta!, of course!, a qualquer momento surge a inspiração para uma poesia, aquele pulsar que expulso de mim, compreende? Hm, vejamos... Necessaire para higiene bucal... Brincou? Ok, ok, dentro tenho três escovas, a tradicional, interdental e bitufo, pasta dental, fio dental, espelho, elásticos do aparelho, hm, protetor labial, acho que só. Continuando... Outra pequena necessaire de maquiagem: batons na cor de boca, bege, e vermelhos e seus tons, blush e rímel! Sou apaixonada por rímel! Ah, carrego dentro uma lixa de unhas também. Sombrinha, faça chuva ou faça sol; estojo com canetas, lapiseira, borracha, marcador de texto que, a propósito, nunca o uso, clipe e pendrive; celular; barras de cereal; carteira com cartões e dinheiro; óculos; garrafinha d'água; remédios e chaves de casa. Todos controlados, mas prefiro não comentar a respeito. Está certo, você deve ser um curioso, porque tantas perguntas assim creio não serem tão necessárias, pois, ao meu ver, tenho que ser sincera, certo?, isto não é mais que um desabafo meu, somente. Hm, respondendo suas perguntas, eu não ligo muito. Prefiro estar só do que com pessoas me incomodam. Com você é assim? Eu canso das pessoas e raras são aquelas que me atraem, que gosto de estar. Confesso que uma boa sombra mais um livro me deixam muito mais feliz do que pessoas. Pessoas forçadas demais!, aquelas com sorriso expressivo demais, mascaradas demais, demais, demais! Semana retrasada? Eu tentei, tentei mesmo! Cheguei a fazer minhas unhas um dia antes e a pentear meus cabelos para causar uma impressão melhor, e, como sempre, não fui muito aceita. Tentei, mesmo!, hora puxar uma conversa aqui, hora comentar sobre o que gostam de ouvir: roupas, cabelos de mulheres, essas coisas fúteis!, mas um sorrisinho com resposta já bastava pra saber que logo estariam saindo bem devagar e 'discretamente' de perto de mim. Juro, tento ser legal! E, vez ou outra, me esforço em triplo pra isso! Creio que o problema é com eles! Simplesmente roubei, ops!, talvez não seja uma boa ideia eu acabar com minha reputação, assim, com você... Claro, sinceridade, clareza sem pré-julgamentos são sim essenciais... Roubei, sim, roubei uma cachaça, baratinha, dessas de quanto mais mls, menor é seu preço, rs! Ok, nem foi tão engraçado assim... Hm, e peguei - trocar a palavra roubar por pegar soa bem melhor, né? Como não pensei nesta antes? Rs - mais umas caixas de bombons que encontrei sob uma mesa do canto... Precisava! Questão de vida ou morte, no momento! Tirei aquele salto que estava contorcendo com pé, foi um dos melhores alívios que já senti, acredita? Hahaha. E saí andando. O que eu tirei de moral? Que as pessoas são estúpidas! Vamos, na boa, pra conversar, saber mais do outro, que os outros possam nos conhecer melhor, e olha só o que recebo! Uns sorrisinhos de canto, sem graças! Um comentário curto e só, nada mais! Pelamor, né? É insegurança, só pode! Oi? Namorados? No ensino médio gostei de um cara, fazia de tudo pra ele me notar, só que nunca deu certo. Nunca chamei muita atenção. Fora, que não tenho muita sorte pra essas coisas... É, acho que sou do tipo só eu, sabe? Eu, com meus livros, com meus filmes, com meus desenhos, eu com o meu fazer nada... De novo? Não, não, perdão mais uma vez, amigo. Posso lhe chamar de amigo? Até porque acho que você e o meu carteiro são os únicos amigos que tenho mesmo... Que desgraça de vida. Perdão pelas minha palavras e tenho que recusar o convite, essas festas são um saco! Só servem pra eu chegar em casa, morrer na cama e acordar no dia seguinte com ressaca terrível sem tirar nenhum proveito. Estou sim tentando melhorar! Não vê que já têm nove semanas que venho aqui religiosamente? Você acha mesmo que isto é fácil pra mim? Quero ir, não aguento mais aqui. Não quero me acalmar! Mil desculpas... Considerar suas desculpas só se eu for em mais uma dessas reuniõezinhas? Ah, santa paciência! Isto é sério? Só mais dessa vez, certo?

Dia 11.02.13: 20ª Consulta

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Mariana Baldani

20 janeiro 2013

À estrela do mar pela mesma

Só de pensar no início, no interesse  e na futilidade sinto nojo. Nojo de estar e continuar, nojo de criar peças ao quebra cabeça. Cadê motivo de destruição antes que um laço seja formado?

Não a culpa. Há mais desencontros que encontros. Mas, no presente, menos demonstração capaz de passar o tempo.

Tempo marcado em sorrisos cravados, porém não forçados. A insatisfação está presente até quando ausente, porém. Com todos é assim? A cada decisão que tomamos, a causa, se é que seja, é só nossa? Destino, mistério acima de nós não tem parcela, nem que seja mísera?

Talvez falte norte, sentido, criação. Amor.

Você guia sua vida. Eu guio minha vida. Nós guiamos nossas vidas. Interligados, entrelaçados, mentalizados no modo off, desligados, sem pensar.

Supressor. Omitir a vontade talvez seja o que faço de melhor para não machucar o outro. E eu, como eu fico? Com o perdão da expressão, me fodo, claro. Existe o costume pra facilitar esse tipo de situação, ou talvez eu diria, acomodação.

O certo é que nunca sentiremos plenos, realizados, preenchidos. Nunca. Bobagem dos que dizem que sim ou que são. Mostrar quintal mais verde e cuidado não mostra raízes, não mostra interior. Artificialidade, artificialidade... Não se pode esquecer disso, jamais.

Desconfiança e esperança, pela primeira vez, desejo que sejam bem vindas ao meu mar e mil desculpas por minhas ignoradas e afogadas.

Aguardo respaldo em continuar a lutar.

Ah, e falta açúcar no chá.

Mariana Baldani


Perto do Fim - Thiago Pethit (feat. Mallu Magalhães)

03 outubro 2012

Abraçar o que faz bem

Era assim: sempre eu. Minhas vontades, meus desejos, meus planos, meus anseios. E a busca pelo a dois quase incansável. Até que o quase se cansou.

Creio que cansaço pelo excesso do eu. Mas, também, pelo cansaço de almejar, procurar e, de fato, de cansar. Por isso, deixei-me levar por qualquer sentimento, forçado ou não, aquele que brilhasse primeiro. E, de um lugar comum, brotou uma paixão.

Paixão que desde o início sabia ser só isso. Nada a mais, nada além, porém que preencheria um tempo só de mim.

E foi assim: até não conhecer, muito admirável. E a medida do descobrir, sozinhos e com amigos, muitas contradições eram destampadas, muitas expectativas eram quebradas, muitas concepções eram frustradas.

Justamente entre essa paixão que surgiu algo inesperado, incomum. De início, não percebi as entrelinhas que, com conversas vêm-conversas vão, enfeitando o tempo, combinei de encontrá-lo –  como muitos amigos assim fazem.

Entre escuro e muitos raios coloridos de luzes, ele chegou, puxou e estalou meu braço. Depois de sorrisos e satisfações iniciais, meus pés e pensamentos foram dançar pela vontade do "me levar" e beijar a paixãozinha.

Mais danças, conversas com amigos no escuro raiado de luz, danças, tequilas, gritaria com amigas no banheiro, tequilas, danças, danças, danças...! Até que, seguido de um beijo na paixão, nasceu um desejo enorme de abraçar o outro.

Talvez seu puxão inicial tenha sido crucial pra que minha atenção voltasse a ele, por mais que tenha sido poucos minutos. Talvez sua bolinha da sorte tivesse plantado anseio de conhecer, sem até o dado momento saber. Talvez a minha necessidade de tornar-me mais íntima dele foi traduzida no meu subconsciente pelo ato de tocar na sua forma mais excelente: a de um abraço, um abraço arriscado, um abraço suave, um abraço bem dado.

Não importa saber a faísca inicial, o importante é que ela dardejou e hoje o fogo se espalha.


Como dizem: 

"abraçar vai além de um encontro de corpos, 
de braços ao redor de alguém. 

É transmitir confiança, 
é demonstrar carinho, 
é traduzir amor."

01 setembro 2012

Paisagens repetidas

Francisco era de longe, mas crescera no interior. O percurso da infância e adolescência fora bem tranquilo. Mexer na terra, subir em árvores à escolha dos melhores frutos, jogar bola e vídeo game com os familiares e amigos da escola, festinhas... Atividades das idades que permitiram um crescimento saudável, sem gravidades imorais e viés de personalidade.

O tempo a passar e a rotina mais enraizada. E esses são os motivos maiores que o faz sonhar. Querer o novo. O desafiador. A aventura. A excitação. O medo de tentar e o falhar por ter tentado. Quer fugir do que tem, quer ser outro alguém. Começar dali, do zero. Reinventar-se. Ou – já que é pedir demais – que, pelo menos, o olhem com mais respeito, como alguém que pode oferecer algo de útil e conciso e ser devidamente reconhecido por tal.

Imagina que um amor – veja bem!, disse amor, não uma paixão qualquer, dessas que se encontra na balada do sábado a noite, aonde o melhor cover foi especialmente contratado para tocar – pode colorir mais sua vida. Adicionar cores e intensificar as já existentes, pois, apesar da ânsia de mudança, Francisco, ainda hoje, permanece feliz. Afinal, possui uma vida confortável e é profundamente amado pela mãe.

Ei, como não havia pensado nisso antes? É justamente o conforto que o alivia e que o tira o sono. Aquilo que o tranquiliza e atrapalha o tentar de se arriscar. Como eu ia dizendo... Sim, sim, o amor! Palavra, ainda, não realizada em sua rápida passagem por aqui e de tão grande significado do sonhar, dos pés no ar.

Quer dar amor e receber em troca abraços apertados, carinhos de beijos sutis e dedos trançados que se embalam pelo ritmo do andar. Seus filmes moldaram este gosto: busca aquela menina frágil para ampará-la e, ao mesmo tempo, aquela mulher decidida para ser guiado.

Onde está não a encontrará. Quer, mas não sai do lugar. Deseja, sonha, imagina e têm esperanças, porém seus pés permanecem no mesmo chão, as garras na mesma raiz e o sorriso torto no mesmo rosto. Onde ela está? Onde o desejo pelo inovador, pelo desconhecido e perigoso estão?

Onde está não a encontrará. Não se encontrará.

08 agosto 2012

Detalhes da Ana

Deitada, abriu os olhos. Observou o quarto e continuou odiando a parede cor lilás. Projetou rapidamente os planos do dia: pintar as unhas; almoçar com o padrasto; adiantar a leitura de Lolita e ir ao tão esperado show. É só? Só.

Nunca tinha a satisfação por fazer suas unhas, na verdade, tinha, porém pela metade. A mão esquerda em mais perfeita ordem, o que lhe rendia um puto orgulho pelo fazer. E a direita, uma estranha rejeição que a levava a desprezá-la, por instantes, pela incapacidade do prestar.

Terça o almoço era somente com o padrasto. A relação deles era estranha. Não por ser fria, e sim pelo desconforto, tanto o dela – tensão pelo contato próximo – quanto o dele – tentar agradar e sempre ser um bosta. No almoço nenhuma novidade.

Quanto aos livros, tinha um esquisito prazer em cheirá-los. Os novos, então... Apesar que o Lolita foi passado de avó-mãe-filha, ainda sim, conservava a essência do cheiro que só os recém-impressos tinham. A leitura do momento, a dava uma vontade absurda de aprender a ser sensual, de atrair e ir. Não se aprende. Ou é, ou não é, Ana.

Vestidinho florido, jaqueta curta de couro e seu All Star preto. Combinação perfeita para ir ao show e observar como todas são iguais. Como todos são. Só de aparência. Minha cabeça ferve. Sua cabeça ferve por querer preencher. Preencher lá... Alma talvez seja o nome que o dão a algo que é meio vazio e, às vezes, cheio... Algo que se completa dentro de nós.

Preencher lá, preencher a alma. É isso!

Olha ao redor. Avista algo sem grande importância. Conversa. Conversas, conversas, conversas. São só conversas. Não são só. São importâncias. São detalhes. Simples. São detalhes simples, poderosos o suficiente para modificar aquela podre alma. Alma da Ana.

03 junho 2012

Acasos por três partes

Primeiro acaso: um pedido de adição surgiu. Não sei de onde veio, por que veio, mas lá estava. Desconfiança que acreditava que permaneceria assim - como costumava ser.

Mas fiz uma associação de conhecê-lo por um amigo que acreditava ser em comum. Não sei, ainda, se é ou não. O que sei é que decidi aceitá-lo, este, portanto, acredite, o segundo acaso.

Logo vi um grande (e profundo) gosto habitual que nos fez unir. União torta e forçada por minha parte, sim, confesso. Porém, o que importa, enfim, é que isso representa uma filosofia de vida para nós, desde lá, quando os escutamos e paramos para entendermos o que diziam.

Outro, apareceu a tomar parte do mesmo assunto por mais uma não existência: o terceiro acaso. E a conversa foi além.

Temos a necessidade de fazer pequenos planos para tornarmos mais afins, para que a amizade vigore e, talvez, para que o calor se transmita entre dois corpos - o segundo e o terceiro, que é preciso do primeiro sem contato físico. Para que as fotos amarelarem nos álbuns retratos.

Desejo saber mais do sarcasmo nas palavras ditas com naturalidade, por ser da própria natureza. Recheada de maturidade com um sorriso inocente e um olhar ardiloso. De entrelaçar meus dedos nos seus cabelos enrolados e realizar gargalhadas e abraços espontâneos...

São três acasos que pretendo estender em muitos outros para que o destino seja construído. Por mim. Por nós. Para nós.