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08 setembro 2022

pra sentir

enquanto tocava hozier, acompanhada do som de chuva, eu vejo lá na frente. por mera criação, nas pausas dos sonhos por estar acordada. a sensação de aperto é um punhal devidamente cravado em mim, no vital de estar aqui e me permitir vivenciar o à frente. seu abandono e sua escolha por quem é dúbio e facilmente te dirá tchau no amanhã. o que quero guardar aqui em palavras, os três pontos, solto em ti, por não me pertencer mais e digo que nosso possível acordo futuro não acontecerá. por amor a mim.

Mariana Baldani

29 setembro 2021

Texto de Geffo Pinheiro

"Relacionamento bom não cai do céu. É tudo uma questão de construção a dois, buscando sempre o mais confortável para ambos. É se molharem na tempestade juntos, se abraçarem para se aquecerem, sorrirem para tudo ficar mais ameno e agradável. E pode acontecer sim, de duas pessoas boas se encontraram amorosamente na vida, mas o que define um bom relacionamento é se os dois estão determinados a edificar isso juntos. Um relacionamento fácil, não é fácil de achar, mas pode ser construído! Quando a vida te convidar a viver um relacionamento, faça dele o melhor que puder! No geral, uma boa relação é quando os dois caminham para a mesma direção, é quando se cria base segura, que não cede por qualquer coisa, é quando não se complica o que pode ser tranquilo de resolver, é gerar saudades saudáveis para o abraço ficar mais caloroso a cada novo encontro, é procurar a melhor forma das duas vidas se adaptarem! Depois daquela fase agitada da paixão, o que vai importar para desenvolver um bom amor é a forma companheira de entender, ser e agir um com o outro, porque não serão só flores a relação, e nem será do dia para noite que tudo terá um norte. É uma constante construção, é um mecanismo de realizações e resultados que o casal tem que fazer acontecer. Relacionamento bom é quando a chuva cai forte do céu e mesmo assim os dois permanecem inseparáveis nela!" 

Geffo Pinheiro

24 junho 2020

modo continuado

achei que não tinha pulado etapas. decisão chegou no sábado. vivi e revivi. domingo organizei o que achava ser vida. relembrei adaptações bem sucedidas. breve desgosto negação raiva negociação chateação e aceitação. a raiva é persistente, certo? 1/3 de recombinação uma intuição como parei ali? viu amor ou expectativa de encontrá-lo? deparei com o que quero entender juntar os azulejos cortantes pra quê? tudo em vão banal sem razão sim seria, né? ou foi ou é? não vale se o barco toca seu caminho. a diferença é que o meu tem direção.


direção com o querer.

Mariana Baldani

04 setembro 2019

repetição de muda

Era quase a metade daquele teatro aberto. Intimista, convidativo, bem aconchegante. Dentro, parecia uma escola antiga. Não a minha e nem a sua. Estava no palco, lá embaixo, em uma rede como se fosse especial... Seria meu aniversário? Claro, faz sentido. Porém, ninguém havia me parabenizado.


Estava arrumada, da minha maneira, com aquele mesmo vestido e, por baixo, aquele seu/meu pijama, já que meu dia seria longo... E sim, não foi. Esqueceram. Até onde presenciei, esqueceram mais uma vez. Ok. Sem problemas. Estava esperando ele. Não chegava. Uma mulher, que conhecia sem conhecer, chegou e se sentou no sofá esquerdo, perpendicular à rede.

Colocaram uma parte de um filme para discussão, ali, naquele teatro. Eu que sou atenta, não vi o filme atravessar. Falou uma, falou um e falou ele. Ele. Não quem estava esperando. Ele! Ele estava do outro lado, na arquibancada, com o disco que fazia barulhos. Observei calmamente e intrigada de o vê-lo ali. Na minha época, isso, de falar em público, não era com ele. Achei diferente e logo pensei, é porque está, porque é.

Fez considerações plausíveis. Sentei no sofá que tinha atrás da rede, pra me afastar da não-conhecida e nisso, ainda explicando seu ponto, fui compreender sensatez. Para explicação de seu argumento, foi até mim e tocou na minha mão. Paralisei e depois de uns segundos, sorri. Ao finalizar, se sentou ali, ao meu lado.

A discussão continuou com outra pessoa. A conhecida chegou e disse “não faz mais nada”. Foram instantes, lá, na consciência do devaneio, eu teria abaixado minha cabeça e concordado. Mas lembrei que, hoje, tenho voz. E perguntei “perdão?”. Mesmo comentário. E acrescentei “por quê?”. Ela respondeu duas infelizes palavras.

Nisso, ela fez uma construção de mim que continuava a mesma: aquela que aceitava qualquer palavra do outro, que lia, isolada, livros durante os recreios, que copiava as matérias aos outros nos intervalos. Não me viu diferente. Mas não liguei. Antes de responder que gosto do vestido florido, ele assim o fez.

Ela estranhou. Eu complementei e virei. Nos olhamos com profundidade e soltamos sorrisos discretos. O anseio podia ter ficado minutos eternos ali, mas logo se foi. Junto com mais uma memória construída de você. Acontece isso também, com você, de nós?

Mariana Baldani

28 agosto 2019

sincronicidade

"existe uma frequência que, vez ou outra, conseguimos acessar. estamos relaxados, mas completamente atentos. percebemos tudo à nossa volta com o corpo todo. sabemos que enxergamos as coisas e nos relacionamos com o mundo a partir de outro lugar. é muito sutil e muito concreto, ao mesmo tempo. nesse lugar, nos conectamos à ordem que está por trás de tudo. sentimos a razão de ser, de tudo. vemos sentido em tudo. não com os olhos ou a mente. mas com a alma. tudo, então, vira sincronicidade. alguém fala algo que ontem você pensou. isso te leva a outra coisa e quando vê, está acontecendo. sincronicidade é o seu próprio eco de lá pra cá. bora encontrar?" - Tatiana Rossi

26 agosto 2014

Comodismo

Já não sei o que fazer. Lá no fundo, essa coisa que chamamos de coração diz que não. Não avança. Não o guarde aí. Não. Não continua. Não, não e não. Mas o conforto aliado ao comodismo e a carência são tão fortes, tão presentes que não o quero largar. Planos de estar em solo brasileiro ofusca com pensamentos adocicados. Planos de visitar seus familiares e castelos convidam a sambar a dois, em rítmo lento ao nascer do sol com o farol nos assistindo. Mas o fundo continua a clamar: "não é este que realmente te faz suspirar".

Mariana Baldani


Estrela do mar - Gold Coast, Austrália 2013

01 agosto 2014

Espontaneidade

Não saiu da memória. Parece que foi ontem que você me apresentou aquele prato. O molho shoyo mais parecia calda de chocolate. Indagnei na mente. Era espetacular. O sabor, a sobremesa, você, a gente. Difícil apagar ou desapegar das memórias. Mais fácil esquecer gostos de sabores. Já não me lembro de como este era, mas sei que o amo. As pinceladas correm e meu pensamento permanece lá, em meio as tintas. Tenho tão poucos dias para decidir muito deles. Tenho tantos dias para não me preocupar com esses. A minha vida é que nem os desenhos que faço: planejo na cabeça, vou para o rascunho e no palco, aquela imensa tela branca, muito do que planejei não resultou como o esperado. O que representava a esperança transformou-se em um carro carnavalesco. E a engenharia dos prédios? Um dos altares dos barcos rústicos de Phi Phi. Só o mar, com todo seu tormento e suavidade está lá, representando de forma primária seu poder. O improviso às vezes é acertado. 

Na maioria das vezes não.

Mariana Baldani

13 abril 2014

Durma, Mariana...

Engraçado como tenho pensado bastante em você, como não tenho dado atenção a mim, aquilo que como e faço por pensar tanto em você... Mas o mais engraçado é que em todos sentimentos que aqui jogo, nenhum deles eu digo que quero voltar a estar com você, por mais que muitos pensamentos eu pense nisto. Porque não escrevo isso? Acho que não solto isso por não ter certeza... Não, eu não solto isso porque sei que a distância é muito forte e não quero lutar acima das minhas forças por isso. Aquilo que é meu, aquilo que é nosso, se ainda temos, está guardado e iremos usufrir disso no momento certo. E o momento certo não é agora e está longe de acontecer. Sim, posso parecer meio pessimista em não agredir que nosso amor é forte suficiente, até porque ele não é mais. Convenhamos, olhe onde estamos, olhe o jeito que estamos. Eu estraguei tudo e a distância contribuiu a me ajudar. Whatever. Durma, Mariana, só durma...

Mariana Baldani

12 abril 2014

Carta dos meus sentimentos

Eu estou pensando tanto. Tudo que aconteceu com a gente. Vivíamos e, mais do que isso, convivíamos bem. Sei que nunca fui de demonstrar afeto, carinho, amor como você demonstrava, mas você sabe que todo meu amor estava lá: nos meus olhares pra você, na minha boca pra você, no meu riso pra e por você, nos meus braços que te envolvinham e fazia me sentir envolvida por ti.

Eu sei o quanto eu errei por tudo que fiz depois que cheguei aqui. Eu sei o quanto fiz seu coração apertar. Eu sinto isso agora, eu sinto que eu te perdi e não temos mais volta. Se eu pudesse queria sim mudar o que eu fiz. Não sei se queria deixar de vir pra cá, porém, sem dúvida, queria deixar de ter feito o que fiz com você.

De ter dado a minha boa a sentir outros lábios que não eram teus. De ter dito palavras duras e indelicadas que não pertenciam a você. De não ter retribuído a altura o carinho que sempre me deu. De ter expressado mais meus sinceros sentimentos que sempre calei e ainda calo.

Porém, nisso tudo de uma coisa eu tenho certeza, Lucas, eu sei que eu amo você porque eu quero que você seja verdadeiramente feliz. E eu sei que essa felicidade não merece ser compartilhada comigo, mais. Eu desejo a você uma verdadeira mulher que saiba dizer o quanto você é especial, que saiba cuidar de você da maneira mais carinhosa que você merece.

Homem nenhum vai chegar aos seus pés pelo que você me fez. Nos momentos mais difíceis, meus, você estava lá e a distância não impediu de você realizar esses detalhes totalmente necessários. Em meu outro relacionamento, eu percebo o quanto não fui madura pra te respeitar, entender e aceitar seu amor. Percebi que amor, aquele, de verdade é coisa rara, que está bem no fundo daqueles que podem amar e, isto é difícil de encontrar.

Te agradeço por ter me dado um pouco disso, esse amor. Não que eu não me sentia amada quando estava com você, mas agora que vejo que eu realmente não o tenho mais, percebo o quanto esse amor era intenso, puro e verdadeiro. E é por isso que te agradeço, por ter aberto e compartilhado o que você tem mais de precioso a mim.

Eu tentei, muitas vezes, e aquelas que eu realmente consegui demostrar esse afeto foi por meio desses rascunhos, e quando eu te abraçava, e quando eu segurava suas mãos, e quando eu arriscava andar a noite sozinha só pra ver seu sorriso me esperando e quando éramos um.

Isso não foi tão efetivo quanto toda demonstração que me deu do seu amor. Eu sei que muitas vezes eu me puno por não saber direito como dizer e fazer no que se passa no meu coração e mente, mas sei que eu tentei demonstrar meu amor por você. Não quero cometer esse meu erro de novo e você, por favor, encontre alguém que te mereça. Que vá te fazer feliz e, principalmente, que valorize esse amor lindo que você tem pra oferecer.

Estou deixando-o ir, de vezes (ou tentando) com muitas lágrimas, soluços, dor no coração, tensões nos músculos, porém com uma paz quase completa de saber que isso é o melhor pra você. É por isso que eu sei que te amo, porque quero que você esteja em paz, feliz, especialmente por si, e livre. 

Mariana Baldani


Janta - Marcelo Camelo

"Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar: caberá ao nosso amor eterno ou não dá. Pode ser a eternidade má, eu ando em frente por sentir saudade."

10 abril 2014

Nós

Eu ainda te amo. E eu tenho meu orgulho. Muito orgulho. Mas, mais do que isso, eu tenho sentimentos que não consigo expressá-los se não for aqui, entre esses papéis amassados e ondulados de água. A distância não nos quebrou. Eu nos quebrei. Eu pisei nos nossos corações, nos nossos encontros, nas tardes que iriamos nos aventurar na cozinha, nos nossos basquetes que gritaríamos até sair sem voz do estádio, no nosso colchão rindo e se abraçando a tarde toda, no nosso apartamento decorado com as mini objeto que expressam nossas vivências pelo mundo, no nosso futuro, nos nossos filhos. Fica longe de mim, não quero te ver sofrer mais e imaginar a dor que te causei. Dói, dói muito, meu amor. Você merece luz e eu sou pra você aquela que opaca seus raios. Eu ainda te amo. Eu nunca deixei de te amar.

Mariana Baldani

02 outubro 2013

Quando o meu centro descentralizou...

É assustador descobrir o oposto daquilo que sempre achei que fosse. Sou destruição, faço mal, não ajudo. Vivo no meu mundo com o meu amar egoísta. Ando sem querer saber se os outros querem me acompanhar. Agrado-me sem saber se os outros podem ou não se agradar com o que faço especialmente pra mim. Sou o ápice da centralização, diária, incansável, cheia de decisões monocráticas e tempo privativo. A mim, é claro. Digo que vou melhorar e olha no que deu! Os mesmos erros, mas com dores maiores, feridas mais sensíveis, olhares mais cansados, corações mais apertados. Afastar-me de ti vai me fazer bem, pois sou capaz, acredite, de sentir sua dor. Se não faço bem a você, não faço bem a mim e, muito menos, a nós. Não sou boa com decisões que envolvem os outros, mas hoje sei que a escolha mais acertada é te fazer seguir o seu caminho. Caminho que merece, com boas companhias, se for possível, melhores que você. Espero que encontre esta maneira de seguir, que seja feliz em exagero e desculpe por este meu amor, doentio, porém saiba que ele sempre foi banhado em sinceridade. 

Mariana  Baldani

20 abril 2013

Um dos sentidos da arte - Alessandro Martins


Qualquer realização artística – e tudo pode ser feito com arte – é uma tentativa de mostrar para si mesmo que não se está sozinho. Que se pode romper o cordão de isolamento entre o eu e o outro. Que o que se sente não é algo exclusivo, mas compartilhado por toda a humanidade. Que não se sofre ou que não se é feliz sozinho. Antes de mim, um grego chorou, triste, na época de Alexandre, o Grande. Muito antes desse grego, um egípcio sentiu-se apaixonar. Ainda, um índio, em 1700, pode ter se tornado repentinamente nostálgico, lembrando de um brinquedo de barro que ganhou de um velho de sua tribo quando criança. Um chinês, ontem, sorriu ao ver o pôr do sol. E, assim, através da arte acaba-se mostrando às pessoas que contemplam essa realização que elas também não estão sozinhas. O artista é como aquele centauro que, na tentativa de curar sua ferida, mesmo sem conseguir, acabava por encontrar o remédio, não para si, mas para os males de outros que o procuravam. A arte – entre outras coisas que talvez careçam de utilidade mas sobejam necessidade – serve para aplacar o sentido de solidão que, sem ela, nos devastaria.

Alessandro Martins

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Um dos sentidos da arte - Alessandro Martins

14 fevereiro 2013

Rascunho 2

Isto só é um alívio momentâneo. Acabou o papel, tudo volta ao normal. Não se enganem.


A vida é uma droga, bons momentos só passam. Ruins momentos estão sempre grudados como a pele, gordura subcutânea e o músculo.

Músculo que com o passar do tempo não acompanham a mente que insiste em evoluir, avançar e prosseguir. Ele falha, trava e atrofia. Não recebe mais oxigênio, vida e blá blá blá.

A grande felicidade talvez seja o não saber. Ninguém dá apoio a ninguém? Perceberam a esperança que tenho? A vontade de insistir em gostar da cor verde?

Covardes criações humana, minhas, bosta! Não há significância no que faço. Não fiz o livro que ajudou minha vizinha, quem diria: uma, duas, três gerações.

É pra isto tudo que nascemos? Crescer, estudar (afinal, quem não é estuda é um marginal, certo, sociedade de merda? Gosto de me tratar bem!), casar, ter filhos, trabalhar (claro, trabalho dignifica o homem, é assim que dizem, né?) e morrer.

Descansar de toda essa utopia que criamos e tentamos.

O papel não acabou, mas minha vontade se esgotou.

Mariana Baldani

06 novembro 2012

Que já rasga!

Desculpe, a verdade é que não sei se mim. Não quero, não faço. Não peço, me calo. Satisfação não gosto de dar. Construo meu mundo, vivo aqui, dentro, no conforto de um aborto. E amo, amo estar com quem quero estar. Resgatar e me deixar levar. O sino toca na toca. Disparar do coração. Disparar no coração. O céu anuncia sua glória e o vento ruge seu poder. Será confusão da mente que grava e não me escapa? Anda, responde! Ou crava esse punhal na minha pele que já rasga...

01 novembro 2012

Drummond


"Escritor: não somente uma certa maneira especial de ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra maneira."

Carlos Drummond de Andrade

27 outubro 2012

Você

É aqui a maneira mais plena e exata que me solta e deixo transparecer aquilo que sou, que quero e deixo de ser.

Quanto tempo isso durará? A luminosidade da sorte continuará a brilhar toda manhã e se intensificará no luar?

Minha percepção de graça ao olhar um sorriso inocente de uma criança e os olhos que muito viu de um velho se apagarão? Os verdes campos e o raiar das águas permanecerão?

Os ãos serão realizados depois rejeitados?

Muitas perguntas e só uma certeza: não são as respostas que movem o mundo e sim as perguntas. Caminhe, não rejeite, siga e prossiga sem deixar de ser você.

Reinvente-se.

19 setembro 2012

Homem na paisagem: uma visão histórica da estética da natureza - Paul Shepard

"O deserto é o ambiente de revelação, estranho genética e fisiologicamente, sensorialmente austero, esteticamente abstrato, historicamente hostil. (...) Suas formas são nítidas e sugestivas. A mente é assediada por luz e espaço, a novidade cinestésica da aridez, alta temperatura e vento. O céu do deserto é abarcante, majestoso, terrível. (...) Num céu desobstruído, as nuvens parecem mais imponentes, refletindo às vezes a curvatura da Terra em suas concavidades inferiores. A angulosidade das formas terrestres do deserto empresta uma arquitetura monumental tanto à terra como às nuvens. (...)

Ao deserto vão profetas e eremitas; pelo deserto cruzam peregrinos e exilados. Aqui, os líderes das grandes religiões buscaram os valores terapêuticos e espirituais do retiro, não para fugir da realidade, mas para encontrá-la."


Homem na paisagem: uma visão histórica da estética da natureza, de Paul Shepard.

16 agosto 2012

Vírgula na vida

Pisa mais nesse acelerador. Ultrapassa. Vence. Grita. Sacie o desejo. Tenha convicção. Por mais que esteja errado. Quebre. Quebre a frase. Quebra. Corte. Crie expectativa. E deixe de estar. Suma. Apareça. Não tem explicação. Quebre mais uma vez. Só não deixe de querer sentir. Asfalto. Galhos e ganhos retorcidos. Secura. Branco intercalado. Ralareaila ia lá. Pele seca. Escudo. Espada. Flecha montada. Ou rasga a carne. Ou o espírito. A alma. Vai arriscar? Caso não. Não sairá do lugar. Pesado. Mais gerações de podridão, não percebem, esperançosos? Não. O céu é imenso. O mar não parou. Minha garganta não secou. Minha tatuagem não apagou. Santificação com o pé virado. No quarto. Vômito nas páginas. Ódio. Sede. Vontade. Por abalar as estruturas. Acorda. Mariana ainda não se foi. Foi? Veio? Onde está? Quem? Seca esta semente e que a terra a vigore. Deite nesta grama. Coce o corpo. Até rasgar. Ouça essa guitarra. Enlouqueça. Me esqueça.  Eu gosto dela. A lua me banha. O amor me movimenta. Minha pele chupa o sol. Distância. Mera comunicação. Não saber. Alaranjado. Ponto. Ponto. Ponto. Ponto. Ponto. Ponto. Pronto,

25 julho 2012

Construção de si (em fragmentos)

Ao saber do feto fazem-se planos. Ao nascer, orienta-se da maneira que convém. No crescer, segue e pensa. Depois de quebrar a cara, pensa e segue (ordem que não se faz necessária o tempo todo).

Somos a construção do que lemos, ouvimos e criamos. Bastar imaginar e ser puramente. É algo natural, que é por si.

Cada pessoa que passa pela nossa estrada contribui de alguma forma. Bem, mal, nunca indiferente. Podemos até ignorar, mas a marca lá sempre vai estar.

Não é preciso palavras para ler. Não é preciso barulho para ouvir. Não é preciso originalidade para criar. Nem o nada é preciso. A vida, como muitos já concluíram, não é precisa.

Somos instantes inconstantes. Eternas mudanças enquanto durarmos.

07 setembro 2011

Importamento no comportamento

As pessoas não se importam. Simplesmente não se importam. Não importa o que faça. A prioridade é delas, depois veem as suas. A não ser que a sua prioridade seja também a das pessoas. Não vou dizer não se importe com eles e sim com você, porque se não a raiz dessa triste realidade se fortalece. A triste realidade dos que não importam. Eu me importo: Eu não me importo: importo, importo, importo comigo. Comigo, comigo, comigo, comigo, meu umbigo. Você se importa?