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08 agosto 2012

Detalhes da Ana

Deitada, abriu os olhos. Observou o quarto e continuou odiando a parede cor lilás. Projetou rapidamente os planos do dia: pintar as unhas; almoçar com o padrasto; adiantar a leitura de Lolita e ir ao tão esperado show. É só? Só.

Nunca tinha a satisfação por fazer suas unhas, na verdade, tinha, porém pela metade. A mão esquerda em mais perfeita ordem, o que lhe rendia um puto orgulho pelo fazer. E a direita, uma estranha rejeição que a levava a desprezá-la, por instantes, pela incapacidade do prestar.

Terça o almoço era somente com o padrasto. A relação deles era estranha. Não por ser fria, e sim pelo desconforto, tanto o dela – tensão pelo contato próximo – quanto o dele – tentar agradar e sempre ser um bosta. No almoço nenhuma novidade.

Quanto aos livros, tinha um esquisito prazer em cheirá-los. Os novos, então... Apesar que o Lolita foi passado de avó-mãe-filha, ainda sim, conservava a essência do cheiro que só os recém-impressos tinham. A leitura do momento, a dava uma vontade absurda de aprender a ser sensual, de atrair e ir. Não se aprende. Ou é, ou não é, Ana.

Vestidinho florido, jaqueta curta de couro e seu All Star preto. Combinação perfeita para ir ao show e observar como todas são iguais. Como todos são. Só de aparência. Minha cabeça ferve. Sua cabeça ferve por querer preencher. Preencher lá... Alma talvez seja o nome que o dão a algo que é meio vazio e, às vezes, cheio... Algo que se completa dentro de nós.

Preencher lá, preencher a alma. É isso!

Olha ao redor. Avista algo sem grande importância. Conversa. Conversas, conversas, conversas. São só conversas. Não são só. São importâncias. São detalhes. Simples. São detalhes simples, poderosos o suficiente para modificar aquela podre alma. Alma da Ana.

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