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02 abril 2013

Delicadeza é disfarce

Fui procurar as listas de músicas. As músicas da saudade de um tempo bom. Esqueci-me: elas se foram. Simplesmente as exclui para substituir por outra. A vida é assim? Viver, esquecer e substituir?

Eu sei o que vai acontecer. Sabemos, mas arrastamos de cá, emburramos de lá e cá estamos. Olha onde fomos parar. Existe o reconhecimento das cores belas nas coisas bem vindas que recebi. Talvez as cores não sejam tão intensas quanto eram pra Cássia ou Nando, mas eu reconheço, desdobro-me e volto a dobrar. Bebo um copo d'água, respiro e reflito. As dúvidas, que são os beliscões que dão gosto no meu viver, trasbordam em uma mente avoada e pouco escrupulosa.

Meus passos são lentos e acompanham dias suaves e efusivos e sãos e mórbidos. Um mix deles em um só dia, também acontece. Muitos deles quebram e o tempo os grudam de forma caótica e demente.

Há alternância de graus de felicidade e tristeza.

Eu volto pra casa? Onde fica minha casa? Penso em uma casa. Em pé na estrada. Não quero fazer isto sozinha. Já pensei, muito e não ligava, hoje ligo, pois sei que somente eu seria de mais - ou melhor, o termo mais apropriado seria de menos, bem menos...

A vida mal trata, passa a mão na cabeça e volta a ferir. E assim será. Não é pessimismo, é realidade. Sei e concordo que a junção de células é (per)feitas(!) de/para (?) nós, porém só temos isto que todos se habituam a fazer? Nascer, crescer de forma grotesca e morrer?

Procura-se renovador de tempo adicionado e gasto.

Mariana Baldani

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