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01 setembro 2014

Um texto como forma de perdão

As brigas eram poucas, se é que podemos chamá-las assim. De vez em quando um ciúminho aqui, outro alí, mas não mais do que isso. Eramos verdadeiros, de corpo e alma, companheiros. Aprendemos, juntos, o que era o amor, de sentimento puro e querer cuidar um do outro. Aprendemos também sobre doar carinho e se dar por inteiro. 

O que vivémos era só nosso: nós tínhamos a nós e isso era suficiente. Por mais que eu queria sair para dançar, se não o fizéssemos, só de estar com você, no nosso colchão, no nosso quarto, já estávamos em paz, feliz, alí. Quem diria há um ano que tudo viraria ao avesso pra nós? Quem diria, meu bem? 

Eu fiz escolhas com a sua aprovação, de mudar de terra, ir pro oposto de nossos lugares. Eu fiz escolhas de beijar outras bocas por pensar que se fossemos nós, estaria sempre lá, guardado, reservado a nós dois. Entretanto, tudo isso vem mostrando o contrário. 

Muitos me dizem que meu pecado foi continuar a conversar com você, na distância. Mas como teria eu me desprendido a você por milhas de terra e mar? Como teria eu ignorado o nosso medo de não nos amar, mais? 

Se pararmos pra pensar, ainda estamos um pouco conectados, por mais que agora cada palavra que soltamos, aperta ainda mais nossas feridas. Por todo esse tempo, tentei, nas nossas conversas só pensar racionalmente e tive sucesso nisso, na maioria das vezes, pelo menos. Mas chega aqui, quando eu começo a jogar essas palavras no papel, eu percebo o quanto meu lado emocional está gritando, clamando por você.

Sonhava com nosso apartamento, pequeno, aconchegante, naquele lugar tranquilo. De entrar na nossa casa e sentir o perfume bom das flores que decidimos regar, ou comprar, ok. De olhar ao nosso colchão, no chão, e sorrir de orelha a orelha. Sentir a paz de ser o nosso canto, o nosso lugar de gratidão. Sonhava com as nossas reuniões pra programarmos um roteiro ao próximo destino. 

Sonhava com a correria de nos ver trabalhando, comendo juntos, a cada refeição, assistindo nossos filmes e seriados dia sim, dia não a noite e nos amando, amando muito. Sonhava em chegar o momentos de levarmos nossos filhos ao primeiro mergulho naquele rio de águas cristalinas, ou aquela piscina do clube que passaríamos muito finais de semana, ok. 

Sonhava com nossos futuros, juntos, entrelaçados, com nós bem dados mas sem a dor de nos esmagar. E foi aí que nos machucamos tanto. Foi aí, depois de fantasiar tanto, depois de criar tanta expectativa que hoje, ao lembrar de nós, a dor é maior.


Mariana Baldani 

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