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01 setembro 2012

Paisagens repetidas

Francisco era de longe, mas crescera no interior. O percurso da infância e adolescência fora bem tranquilo. Mexer na terra, subir em árvores à escolha dos melhores frutos, jogar bola e vídeo game com os familiares e amigos da escola, festinhas... Atividades das idades que permitiram um crescimento saudável, sem gravidades imorais e viés de personalidade.

O tempo a passar e a rotina mais enraizada. E esses são os motivos maiores que o faz sonhar. Querer o novo. O desafiador. A aventura. A excitação. O medo de tentar e o falhar por ter tentado. Quer fugir do que tem, quer ser outro alguém. Começar dali, do zero. Reinventar-se. Ou – já que é pedir demais – que, pelo menos, o olhem com mais respeito, como alguém que pode oferecer algo de útil e conciso e ser devidamente reconhecido por tal.

Imagina que um amor – veja bem!, disse amor, não uma paixão qualquer, dessas que se encontra na balada do sábado a noite, aonde o melhor cover foi especialmente contratado para tocar – pode colorir mais sua vida. Adicionar cores e intensificar as já existentes, pois, apesar da ânsia de mudança, Francisco, ainda hoje, permanece feliz. Afinal, possui uma vida confortável e é profundamente amado pela mãe.

Ei, como não havia pensado nisso antes? É justamente o conforto que o alivia e que o tira o sono. Aquilo que o tranquiliza e atrapalha o tentar de se arriscar. Como eu ia dizendo... Sim, sim, o amor! Palavra, ainda, não realizada em sua rápida passagem por aqui e de tão grande significado do sonhar, dos pés no ar.

Quer dar amor e receber em troca abraços apertados, carinhos de beijos sutis e dedos trançados que se embalam pelo ritmo do andar. Seus filmes moldaram este gosto: busca aquela menina frágil para ampará-la e, ao mesmo tempo, aquela mulher decidida para ser guiado.

Onde está não a encontrará. Quer, mas não sai do lugar. Deseja, sonha, imagina e têm esperanças, porém seus pés permanecem no mesmo chão, as garras na mesma raiz e o sorriso torto no mesmo rosto. Onde ela está? Onde o desejo pelo inovador, pelo desconhecido e perigoso estão?

Onde está não a encontrará. Não se encontrará.

2 comentários:

Lucas Mariano disse...

Bonito e desafiador...mas difícil.
Penso muito assim.
Que texto bacana :)

Mariana Baldani disse...

Que bom que gostou, Lucas ^^

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