Tu, amigo, não te desesperes.
Não te desesperes se a casa cair
Não te desesperes se o tempo ruir
Não te desesperes, nem mesmo,
Se o sol sumir. Que ele volta.
Não te desesperes ante a volta.
As histórias de reviravolta,
Não te desesperes, querido,
Se em plena tarde de sol de domingo
Te achas sozinho, a escutar tristes boleros
E libertar canários.
Ante o fim, pois sim,
Também não te desesperes.
Se Dionísios te fogem,
Apolos por outro lado
Se deuses até mesmo os deuses
Se descolam da parede de teu templo
Não te desesperes.
Não te desesperes se te trazem invernos.
Se te contam mentiras.
Se te plantam daninhas.
Não te desesperes, amor,
Quando os teus cristais enterrados riscam
Os teus espelhos novos que se constroem.
Não te desesperes, não
Meu irmão, não te desesperes
Se a estrada entorta
Se a curva acentua
Se a vida, nua
Te assusta.
Não te desesperes, pois ora pois
Já não tens onze anos.
Não te desesperes, desenhe
Cante, dance ou apenas
Escreva riscando palavras
Como quem escalavra
Entranhas e vísceras.
Não te desesperes, irmão.
A vida é uma estrada
Em que o desespero
É morte de estrada
E cada estrada
Cada vez mais curta
Cada vez mais nada
Nos faz depois
Sentir tanta falta
De mais estrada.
Vinícius Sado Rodrigues
2 comentários:
Uau! Lindo poema!!!
Parabéns!
Andréia Baldani
Amei!!!
Tenho orgulho de ser sua prima
Parabens!!!
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