Casa em cidade grande
vidro nas alturas
plantas artificiais em ambientes
banheiro como se fosse sala
sala como se fosse casa
Fora me arrasto por raíses
com cabelo entrelaçados
difícil de andar
no fim, muito esforço pra levantar
consigo
Volto pra casa e no caminho
vejo ele que não percebe minha presença
Gordo
numa espécie de elefante assustador voador com rédias
entro e saio rápido da casa sem vida
Lá fora o tempo fechou e o colorido não se apagou
ainda
Não avisto ninguém
mas sei que estou cercada de merdas
Arrasto, mais uma vez
pelas raízes fortes vigorosas mortas
os cabelos ásperos arranham minha pele
e eu taco o foda-se querendo levantar
Mais do que gravidade me impede
Tão merda que são!
Com fé e a força criada por ela me mantenho em pé
O que é aquilo que vejo?
uma pia? um altar? que porra é essa?
Nela, um pote, também colorido, com um símbolo
Aaaah, népussível!
Com ódio e com o sangue pra lutar
Estouro
nas minhas mãos
que se espalha, rapidamente, por mim
Raiva Ódio Aflição
CADÊ AQUELE MERDA?
Lembro de uma pessoa
Grito seu nome duas vezes (!!!!!!!)
para estar seguro, não para me ajudar
Cidade parece isolada
E eu sentia o cheiro da multidão
Com respiração funda
levanto e volto a cair da cama
Estão me olhando e não estão me oprimindo
Por quê?
POR QUÊ?
Isso me deixou assustada.
Peço que saiam
Vejo consagração
Ligo wi-fi Pergunto se está bem Me calo
Volto a dormir com preocupação
Mariana Baldani
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