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09 abril 2016

Pv 16:3

Casa em cidade grande
vidro nas alturas
plantas artificiais em ambientes
banheiro como se fosse sala
sala como se fosse casa

Fora me arrasto por raíses
com cabelo entrelaçados
difícil de andar
no fim, muito esforço pra levantar
consigo

Volto pra casa e no caminho
vejo ele que não percebe minha presença
Gordo
numa espécie de elefante assustador voador com rédias
entro e saio rápido da casa sem vida

Lá fora o tempo fechou e o colorido não se apagou
ainda
Não avisto ninguém
mas sei que estou cercada de merdas

Arrasto, mais uma vez
pelas raízes fortes vigorosas mortas
os cabelos ásperos arranham minha pele
e eu taco o foda-se querendo levantar

Mais do que gravidade me impede
Tão merda que são!
Com fé e a força criada por ela me mantenho em pé

O que é aquilo que vejo?
uma pia? um altar? que porra é essa?
Nela, um pote, também colorido, com um símbolo

Aaaah, népussível!

Com ódio e com o sangue pra lutar

Estouro

nas minhas mãos
que se espalha, rapidamente, por mim

Raiva Ódio Aflição

CADÊ AQUELE MERDA?



Lembro de uma pessoa
Grito seu nome duas vezes (!!!!!!!)
para estar seguro, não para me ajudar

Cidade parece isolada
E eu sentia o cheiro da multidão

Com respiração funda
levanto e volto a cair da cama

Estão me olhando e não estão me oprimindo
Por quê?

POR QUÊ?

Isso me deixou assustada.

Peço que saiam

Vejo consagração

Ligo wi-fi Pergunto se está bem Me calo

Volto a dormir com preocupação

Mariana Baldani

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