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31 dezembro 2014

Convenhamos, mas sem razão

você nunca acreditou o suficiente em nós.

Talvez porque não eramos mesmo
pra dar certo

Lembro das inúmeras vezes que fui largada
em casa
por ti
Lembro de quando queria adentrar no teu mundo
com seus amigos
mas fui deixada no ponto de ônibus
sozinha
a noite
a caminho do Umuarama

Quem era esse que dizia me amar?
Quem era esse que chegou a pensar em querer construir uma família comigo?
Quem era esse que quando cansava, se afastava?

Antes de terminarmos
quando concordei com você
de que não darìamos certo
de que nos esqueceríamos rápido
um do outro

eu cheguei a acreditar em nós
Mas
você
sem saber
sempre teve razão
:
o que aconteceu entre nós
foi aquilo
Um certo sufoco
pensando no depois

Tentei ver
hoje
aonde começou
Procurei por entre muitas decidas
a primeira conversa

Não encontrei

Talvez e mais provável
porque o primeiro deletou
Ele
talvez
tenha toda a razão
:
sempre soube que não daria
não cuidaria
não permaneceria

Vi a foto da Lucie
estava feliz com o outro alguém
e parei pra pensar que a vida é assim mesmo
Na cadeira de girar
ele tinha me dito que o único homem da minha vida seria ele
por impulso
respondi certo e ri
Sabíamos
sempre
aquilo que eu não queria
Voltando ao assunto Lucie
Também olhei a foto do outro e uau
Caminhos completamente diferentes
Ele no frio com a expressão triste
e ela feliz com outro

Lembro que ao atravessar a rua com A
depois da segunda estação de trem
comentamos a respeito
Disse minha sincera opinião
me lembrando da viagem a Tailândia
e olha hoje!
Não é que eu combinei de encontrar o J em sua cidade natal?
Como o tempo corre e nos faz mudar de opinião

A partir de hoje deixo de te escrever
pra te tirar da minha vida
e ter espaço a outros

Talvez usarei as quase histórias que presenciei com A, J e N
e toda imaginação que construi
pra deixar de pensar no que causou toda essa confusão de sentidos
porque, sentimentos, por ti, já não quero que cabem aqui

Mariana Baldani

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