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20 agosto 2012

Poesia de Luciana Alves de Medeiros

Há muito tempo eu nada escrevia
O silêncio a minha volta
Fez calar também a minha alma.
Mas em pequenos momentos,
Em instantes imperfeitos
Ela quebra o silêncio, e grita em tom abafado,
É um grito audível apenas por mim mesma, que o percebo estridente e incontrolável...
Ele se traduz no gosto salgado da fonte que enfim transborda, borrando a visão úmida de olhos tristes, vazios.
E mais uma vez o silencio invade...
Pergunto-me o porquê dos objetos serem mudos,
Das paredes não possuírem braços,
E do travesseiro não esboçar se quer um sorriso.
As coisas me parecem tão mortas...
E eu chego por vezes a me confundir com elas.

Criando raízes em mim
Cada vez mais fortes e mais profundas
Sigo sem me deixar libertar
Sem saber como reverter tal condição...
Talvez seja preciso transformar as raízes em asas
O silêncio em melodia,
E o vazio, em companhia.

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