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31 julho 2012

Encanto de um dia

Ao Adelmo Café

Meus pés sentem as pedras frias
e pelo ritmo sereno do piano eu vou

Deixo-me levar

Na direção, ainda descalça, saboreio o rock pesado

Ao chegar na crua terra quente
os pés se ferem pelas cortantes e fogosas pedras
e as pernas forçam e buscam mais dor

O sol esquece a timidez e minha pele queima, arde

A cachoeira vista abre um sorriso na face límpida
e o corpo se mostra vagarosamente por um despir sensual

Com passos tímidos, achego-me nas cristalinas águas
a quebrar parte do corpo e enlouquecer mais a mente

Em súbita sede por coragem, os pensamentos insanos se confundem
e o frágil corpo, domado pela confusão, projeta-se avante

O sofrer torna-se aos poucos grande deleite
pela ajuda do irradiar do sol

Procuro um poço e ao flutuar no gelado
percebo minha leveza,
a leveza da vida,
que a perco às águas ao retornar a trilha

Ao cair o dia, os cabelos estão mais uma vez molhados

O casaco sutilmente envolve a pele

Na mesa os diversos pães tornam-se acompanhantes do vinho
e, junto do beliscar de doces, meus pés não deixam de dançar conforme a melodia

A imensidão de livros deixa-me menor

O gamão, as cartas e os demais jogos de azar contrastam-se com os vídeo games

Ouço com atenção as palavras de um dos homens mais sabidos que já conheci

Quem aqui chega, mistura-se a simplicidade
de estar
de ser

A noite já grita

Os risos se cansam

Depois da ociosidade convidativa há o aparecer do sono

No travesseiro, com a leve compressão da cabeça,
sinto falta do amor que não se instalou



Pirenópolis, GO, 06/12

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