Meus pés sentem as pedras frias
e pelo ritmo sereno do piano eu vou
Deixo-me levar
Na direção, ainda descalça, saboreio o rock pesado
Ao chegar na crua terra quente
os pés se ferem pelas cortantes e fogosas pedras
e as pernas forçam e buscam mais dor
O sol esquece a timidez e minha pele queima, arde
A cachoeira vista abre um sorriso na face límpida
e o corpo se mostra vagarosamente por um despir sensual
Com passos tímidos, achego-me nas cristalinas águas
a quebrar parte do corpo e enlouquecer
Em súbita sede por coragem, os pensamentos insanos se confundem
e o frágil corpo, domado pela confusão, projeta-se avante
O sofrer torna-se aos poucos grande deleite
pela ajuda do irradiar do sol
Procuro um poço e ao flutuar no gelado
percebo minha leveza,
a leveza da vida,
que a perco às águas ao retornar a trilha
Ao cair o dia, os cabelos estão mais uma vez molhados
O casaco sutilmente envolve a pele
Na mesa os diversos pães tornam-se acompanhantes do vinho
e, junto do beliscar de doces, meus pés não deixam de dançar conforme a melodia
A imensidão de livros deixa-me menor
O gamão, as cartas e os demais jogos de azar contrastam-se com os vídeo games
Ouço com atenção as palavras de um dos homens mais sabidos que já conheci
Quem aqui chega, mistura-se a simplicidade
de estar
de ser
A noite já grita
Os risos se cansam
Depois da ociosidade convidativa há o aparecer do sono
No travesseiro, com a leve compressão da cabeça,
sinto falta do amor que não se instalou
Pirenópolis, GO, 06/12

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