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31 julho 2011

Maldição dos Poetas

Sempre tive tudo
Sempre tive o mundo
Que eu gostaria de ter

Mas falta
Falta dentro da alma

Um pedaço
Um vazio
Um espaço vago

Andar a esmo acalma
Mas o susto
Do nada
Não passa

E minh'alma
Em tormento
Só quer calma

Choro, grito, soluço
Por respostas
Do fundo, do meio, de dentro
Como preferir

Mas só nascem perguntas
Alinhadas
Às vezes
Sobrepostas

Ora, o que farei eu além de chorar em palavras?

E eu bem sei que
As coisas não passam
As coisas mudam

Coisas coisas coisas
Diziam a mim que essa palavra era proibida
Em qualquer trecho que seguia

Ditadores estúpidos!
Que nos guiam para onde querem guiar

Perdão pela indelicadeza
Não quero descontar a raiva
Da dor
Que sinto em animais
Que se aproveitam da fragilidade
De mínimos

Só quero entender o porquê
Da dor
Da própria dor


Será a maldição dos poetas?


?


Por sentir?

Diga-me se souber a resposta
Diga-me o que entender
Diga-me ao menos um oi?

Um oi ao solitário ser
E me acompanhe até o entardecer
Pelas ruas estreitas a se contorcer...

Um comentário:

Eduardo Brancaglioni Marquetti Lazaro disse...

Dor. Na sua ausência
feri-me na falta
da eloquência
a pensar que bem
estava eu, sem você
a não mais lembrar-me
do alerta que me traz
a agonia gritante
dos valores tão altos
mas já acostumados
a acharmos que o normal
é comum mal agradecimento...

Para sua poesia, que sempre gosto de ler.
Edu Lazaro

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